a culpa é das estrelas
canapés, petiscos e acepipes
ceis também acharam que eu não viria? eu achei. tanta coisa acontecendo no mundo, na vida e eu totalmente sem paciência assunto. pois achamos errado. :)
🕵🏼♂️ alá, o velho truque de escrever que não deu pra escrever
não é um truque, é a mais pura honestidade intelectual e vontade de vir, mesmo sem um grande texto para fornecer. jogar uma conversa fora, falar de coisas que vimos, trocar umas duas ou três dicas. pensei: várias alternativas nada melhor para uma manhã de domingo, no meio do feriado.
essa semana foi esquisita demais, rolando um auê dos planetas, uns movimentos intensos em áries, conjunções, quadraturas, sei lá, não sou muito versada, apesar de consumidora deste tipo de conteúdo. uma amiga sabida das dinâmicas astrais me recomendou precaução, pois caprica com ascendente áries. é fogo.
cê transa astrologia?🔥⚡☄️
a pura energia da treta pairando no universo e eu só tentando me esgueirar tipo o neo.
mas infelizmente tentar não é conseguir. falhei e passei a semana ruminando situações, pedindo desculpas por descuidos desagradáveis e/ou momentos de sinceridade lancinante com gente que eu gosto. me desculpei até pelo que não era exatamente culpada, veja você. e não quero com isso ostentar uma grande virtude, até porque se sentir culpada pelo que você não tem culpa não é exatamente um atributo a ser exaltado, apesar de uma sensação muito comum entre seres mulheres (por que será?). ainda se a culpa fosse minha eu botaria em quem bem entendesse, alguém que fizesse por merecê-la, tem tantos…
a culpa é das estrelas ✨
culpada também por trabalhar/viver demais e não ter conseguido tempo nem espaço mental para encadear três ou quatro ideias e organizar a escrita.
🎧 pois esses dias ouvia liana ferraz e jana viscardi no “elas na escrita” falarem justamente sobre a desromantização do ato de escrever, a necessidade de desencastelar a escrita. e liana disse uma frase mais ou menos assim: transformar as dificuldades de escrever em exercício de linguagem. me encontrei um pouco nessa frase, porque acho que é isso que faço, é assim que escrevo na maior parte das vezes.
nas brechas. (e o tempo todo dentro da minha cabeça)
texto decantado, revisitado, modificado até ficar primoroso não são a maioria. não há tempo. talvez por isso a voz do texto que escrevo seja tão próxima da voz que fala há tanto tempo. e é isso mesmo que eu faço aqui agora, recém chegada. escrevo na brecha, experimento vozes e testo linguagens. o que você vai encontrar aqui? não faço a menor ideia.
🍤uma bandeja de canapés e petiscos sortidos, aceita?
tem naturalmente ficado mais parecido com o que lembro de fazer no blog. me vejo formatando posts, conversando com o meu grupo de frequentadores, me divirto.
aim, blog? o tempo passou, néah?
éah, passou, e 20 anos depois estamos todos exaustos de correr na rodinha da produção de conteúdo. sendo esses os tempos, prefiro fazer algo menos embalado e mais autêntico, não determinado pela lógica tirana algorítmica, meio no fristáile.
me contradizendo completamente, busco estabelecer uma regularidade viável para estes meus bilhetes. e pondero se mais uma newsletter chegando toda semana não vai dar ansiedade. se não vai ser mais um email que você marca com estrela pra ler depois. às vezes esse depois nunca chega e. não lê.
e eu realmente gostaria que você lesse :)
“não tem o que dizer não diga”
tenho coisas a dizer, sim, tá. nem todas edificantes ou proveitosas, é verdade. algumas bobagens divertidas com certeza, umas e outras frivolidades. porém, muitas úteis! hoje ao menos forneço links onde você pode conhecer escritoras e escritores maravilhosos e aproveitar ótimas coisinhas
de ler:
o manancial do renan sukevicius, meu amigo e autor da frase-pérola (pra mim) “viver é imperdível”.
ó👌🏼
de ver:
nada é suficiente e comunhão, no sesc ipiranga, textos de daniel macivor com três baita atrizes no palco. de rir e de chorar, de sentir e de pensar.
de ouvir:
no clube do livro cbn, zé godoy falando de os imortais, da paulinny tort. ed. fósforo.
de ouvir também:
meus honrosos comentaristas no estúdio cbn, carol tilkian, michel alcoforado e rossandro klinjey, juntos, num ótimo papo sobre solidão X hiperconectividade, a importâncias dos rituais, e outras preciosidades para esses tempos estranhos, no programa especial de 9 anos.

para Tatilove
tem dias
em que a palavra
não quer ser leve
e tudo bem
porque nem toda flor
nasce suave
algumas rasgam a terra
você procura o texto
como quem procura espelho
mas o texto
às vezes
é o que ainda não tem rosto
é o quase
devir
não vem pronto
nem manso
ele tropeça
em você
e quando não vem ímpeto
não é ausência
é acúmulo
é maré baixa
guardando força
linha de fuga, sim
mas não só fuga
é fresta
um jeito de respirar
quando o dia pesa
e a tal feminilidade
— se é que cabe nome —
não precisa ser leve
precisa ser viva
tem dia que é brisa
tem dia que é faca
e ambos
são verdade
então não chama
não força
deixa vir
leve
ou denso
ou nenhum dos dois
porque até o silêncio
quando encostado em você
já é
quase poema